segunda-feira, 16 de março de 2026

Oficial de Justiça é cercado por homens armados durante cumprimento de mandado em Paraisópolis


Um Oficial de Justiça do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2) foi cercado e ameaçado por homens armados enquanto realizava diligências na comunidade de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo. O episódio ocorreu na tarde de 27 de fevereiro e expõe os riscos enfrentados por servidores que atuam no cumprimento de ordens judiciais em áreas com presença de organizações criminosas.

Segundo relato do servidor, ele cumpria quatro mandados judiciais na região. Após concluir três diligências, dirigiu-se ao último endereço quando foi surpreendido por um grupo de cerca de seis homens, alguns em motocicletas. Um dos indivíduos estava armado.

O Oficial de Justiça estava sozinho e a pé no momento da abordagem.

Mandado foi fotografado e servidor interrogado

De acordo com o relato, os homens tomaram o mandado judicial, fotografaram o documento e passaram a se comunicar por rádio com outros integrantes do grupo, aparentemente para verificar as informações apresentadas pelo servidor.

Durante a abordagem, ele foi submetido a uma série de exigências: teve que levantar a camisa, mostrar a parte inferior da calça, informar onde estava o carro estacionado e dizer a placa do veículo.

Enquanto as comunicações seguiam pelo rádio, um homem que aparentava exercer liderança chegou ao local de motocicleta e passou a conduzir o diálogo. O clima de tensão durou vários minutos, enquanto o grupo aguardava confirmações internas.

Segundo o servidor, os homens suspeitavam que ele fosse policial infiltrado.

Ameaça para não retornar à região

Após as verificações, o Oficial de Justiça foi liberado. Ainda assim, recebeu um aviso direto de que poderia buscar seu carro e deixar o local, mas não deveria retornar à região em nenhuma circunstância, muito menos acompanhado por policiais.

Além disso, integrantes do grupo anotaram a placa do veículo do servidor.

No relato encaminhado à chefia, o Oficial de Justiça afirmou que temeu pela própria vida durante a abordagem.

“Fui cercado e rendido por pessoas armadas, momento em que temi por minha vida, pois acreditavam que eu era policial”, relatou.

Servidor recebeu atendimento psicológico

Após o episódio, o Oficial de Justiça procurou apoio institucional e recebeu atendimento emergencial de assistência psicológica no tribunal.

Durante a avaliação, foi recomendado acompanhamento psiquiátrico e afastamento médico por 30 dias, diante do impacto emocional provocado pela situação.

Riscos no cumprimento de diligências

Casos como o ocorrido em Paraisópolis têm sido apontados como exemplo dos riscos enfrentados por Oficiais de Justiça no cumprimento de mandados, especialmente quando as diligências ocorrem em áreas com histórico de violência ou forte presença de grupos criminosos.

Esses servidores são responsáveis por executar ordens judiciais diretamente no território, muitas vezes atuando sozinhos e sem escolta, em bairros urbanos complexos ou regiões de difícil acesso.

O episódio reacende o debate sobre protocolos de segurança, identificação prévia de áreas de risco e formas alternativas de cumprimento de mandados em situações que envolvem ameaça à integridade física do servidor.

Com informações do site da Aojustra


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