A Comissão de Finanças da Câmara aprovou nesta quarta-feira (27) uma
emenda à LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) para permitir que o
Judiciário e o Legislativo tenham autonomia para conceder reajuste
salarial sem depender do Executivo.
O texto segue para análise da
Comissão Mista de Orçamento e se aprovado será votado pelo plenário do
Congresso. Sem a apreciação da LDO, os parlamentares não podem entrar em
recesso, previsto para começar no dia 18 de julho.
Autor da emenda,
o deputado João Dado (PDT-SP) afirmou que a proposta apenas regulamenta
o artigo 99 da Constituição, que garante autonomia financeira e
administrativa ao Judiciário.
Segundo o deputado, a emenda cria um
cálculo com o valor máximo gasto com pessoal para cada Poder, sem
precisar de autorização do Executivo para realizar esse tipo de despesa.
Essa fórmula leva em consideração a média dos últimos três anos dos
gastos de pessoal e da receita corrente liquida de cada Poder.
Com
essa engenharia, o deputado garante que para 2013 o Judiciário teria R$
5,44 bilhões para conceder o reajuste de seus ministros e servidores. O
Legislativo teria R$ 1,2 bilhão.
"O Executivo está deliberadamente
constrangendo o Judiciário e o Legislativo e rejeitando os reajustes. Há
dinheiro para conceder o reajuste", disse Dado.
Outra emenda
aprovada na comissão cria um fundo para projetos sem previsão
orçamentária para Legislativo e Judiciário, que será composto com 0,1%
do Orçamento, cerca de R$ 1 bilhão. A ideia é que Judiciário e
Legislativo possam aprovar projetos com impactos financeiros.
Na
prática, essa medida já é usada há cinco anos nas peças orçamentárias,
como uma reserva técnica. No Orçamento deste ano, o valor foi de R$ 12
milhões.
"Hoje, como há um engessamento do orçamento, quem acaba legislando é o Executivo. Isso não pode acontecer mais."
Fonte: Folha de S. Paulo