O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Ayres Britto,
sugeriu que o Poder Executivo deve respeitar as propostas de orçamento
apresentadas anualmente pelo Poder Judiciário, evitando vetá-las ou
alterá-las antes mesmo que sejam devidamente analisadas e discutidas no
Congresso Nacional. Segundo o ministro, a carreira está “se
desprofissionalizando” em decorrência da perda de atratividade quando
comparada a outras carreiras jurídicas.
“Há distorções conceituais
nas relações entre os Três Poderes. O Poder Executivo federal, por
exemplo, confunde o Orçamento da União com o seu próprio orçamento, como
se não houvesse uma cotitularidade dos Poderes Legislativo e Judiciário
[na elaboração] orçamentária”, declarou Britto, criticando a
possibilidade do governo federal interferir prematuramente na decisão do
Congresso Nacional a respeito da concessão de reajuste salarial para
juízes e demais servidores do Judiciário, a exemplo do que ocorreu em
2011.
“O Poder Executivo entende que, além do poder constitucional de
vetar projetos de lei aprovados pelo Congresso Nacional, também tem o
poder de vetar, antecipadamente, a proposta orçamentária apresentada
pelo Poder Judiciário”, argumentou o ministro, durante evento organizado
nesta quarta-feira (18), na sede da Associação dos Magistrados
Brasileiros (AMB), em Brasília.
“É difícil convencer o Poder
Executivo de que se a atualização remuneratória dos servidores passa por
três fases distintas, não há nenhuma necessidade dele vetar ou mutilar
qualquer proposta durante as duas primeiras fases”, comentou Britto, se
referindo à aprovação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), à Lei
Orçamentária Anual (LOA) e a aprovação de lei específica sobre o
reajuste de determinada categoria.
Ao aprovar nessa terça-feira (17),
o projeto da LDO com as regras que deverão orientar a elaboração e a
execução do Orçamento para 2013, o Congresso Nacional vetou uma emenda
que, se aprovada, concederia aos Poderes Judiciário e Legislativo
autonomia para reajustarem seus próprios vencimentos, eliminando a
possibilidade de veto do Executivo sobre tais decisões.
"Assim como o
Poder Judiciário não se imiscuiu na política de pessoal e sistema
remuneratório dos Poderes Executivo e Legislativo, também o Poder
Executivo não tem nada que ver com nossa política pública de mão de obra
durante a primeira fase de elaboração da proposta orçamentária anual",
disse o ministro, argumentando que a possibilidade do Judiciário
elaborar o orçamento dele é a única forma de manter independência dos
Poderes Executivo e Legislativo.
Segundo o ministro, a proposta
apresentada pelo Poder Judiciário federal previa um aumento de cerca de
22% para os magistrados e de quase 34% para os demais servidores. “Ou
seja, R$ 670 milhões para a magistratura, a partir de 2013, e cerca de
R$ 2,8 bilhões para os servidores, que receberiam em quatro parcelas sua
atualização, sendo duas no ano que vem e duas em 2014”.
O último
reajuste aos magistrados, de 8,8%, foi concedido em 2010. Em 2011, a
categoria reivindicou um aumento de 15%, mas o governo federal vetou
devido ao impacto orçamentário. Os servidores do Judiciário, por sua
vez, estão sem receber aumento desde 2006.
“É fato que sempre que
está na época de discussão da Lei de Diretrizes Orçamentárias e da Lei
Orçamentária Anual vem a tona as más notícias. Há uma associação muito
sintomática entre o período de elaboração da Lei de Diretrizes
Orçamentárias e da Lei Orçamentária Anual com as más notícias [da
economia]”, concluiu o ministro.
com informações da Agência Brasil
Fonte: FENASSOJAF