quinta-feira, 19 de outubro de 2023

PARÁ: Juiz repreende publicamente Oficiala de Justiça que cumpriu ordem judicial por meio eletrônico


Uma Oficiala de Justiça foi repreendida publicamente pelo Juiz Federal Rodrigo Gasiglia de Souza, da 12ª Vara Federal de Juizado Especial Cível, nos autos do processo 1052041-90.2023.4.01.3900, por ter cumprido virtualmente uma ordem de intimação contra o Estado do Pará.

Entenda o caso – No último dia 3 de outubro, em caráter de plantão, o Juízo da 12ª Vara Federal determinou a intimação do Estado do Pará, através de sua Central de Leitos, para cumprimento da tutela de urgência da parte autora, que solicitava transferência para um hospital especializado referente ao tratamento de saúde que necessitava. Na ordem, o juiz determina que a mesma fosse cumprida ou justificada sua impossibilidade em até 12 horas, sob pena de multa diária no valor de R$ 10.000,00.

No entanto, a ordem não determinava a forma como a diligência deveria ser cumprida, sendo que, para esses casos, a orientação da Central de Regulação de Leitos do estado do Pará é que seja através de intimação virtual por correio eletrônico, por ser o meio padrão e mais célere.

Cerca de duas horas após a determinação do mandado, a Oficiala de Justiça já havia cumprido a intimação e certificado no processo, tendo sido feito o procedimento padrão da Central de Mandados de Belém, e o que determina a Central de Leitos do Pará, não sendo evidenciada nenhuma falha pelo Juízo.

Após treze dias, a parte autora se manifestou nos autos e alegou que o Estado do Pará, ainda que devidamente intimado, não havia dado cumprimento na Ordem, e os autos retornaram ao Juízo que, ao invés de aplicar a multa determinada em processo, responsabilizou a falha do cumprimento à Oficiala de Justiça plantonista.

Na decisão, o magistrado Rodrigo Gasiglia de Souza alega ter verificado que o mandado foi executado por e-mail, e que tal forma de cumprimento era vedado, uma vez que não havia a determinação de cumprimento eletrônico. O magistrado ainda afirma que se fosse para a medida ser cumprida por e-mail, não precisaria do Oficial de Justiça.

Assim, sob a justificativa de falha da Oficiala de Justiça, o magistrado desconsiderou o cumprimento anterior, isentando o Estado do Pará da multa e determinando novo cumprimento, desta vez, com a indicação de que o mesmo fosse presencial.

Ao novo Oficial de Justiça plantonista, foi informado pela Central de Leitos que o cumprimento deveria ser realizado de forma eletrônica, por ser essa a rotina do Estado, que conta com médicos plantonistas para esse fim. Ainda assim, no dia seguinte, o plantonista se dirigiu até a Central onde intimou a mesma autoridade estadual, que lhe confirmou já estar intimada desde 3 de outubro pela Oficiala de Justiça repreendida publicamente, e que desde o dia 11 de outubro já havia cumprido a determinação, restando claro que a Oficial de Justiça repreendida cumpriu eficientemente a diligência.

Histórico Em 2017, o Juiz Federal Rodrigo Gasiglia de Souza foi alvo de desagravo público por parte da OAB de Rondônia, por reiteradas faltas de urbanidade e respeito com os advogados atuantes na Subseção de Guajará Mirim.

A FENASSOJAF se solidariza com os Oficiais de Justiça do Pará e se indigna com magistrados que buscam indevidamente responsabilizar os Oficiais de Justiça para não reconhecerem que suas ordens foram deliberadamente descumpridas pelo Poder Público, uma vez que, conforme o ocorrido, a autoridade estadual declaradamente afirmou estar ciente da ordem desde 3 de outubro, intimação desacreditada pelo juiz.

A Associação Nacional espera uma retratação pública por parte do Juiz Rodrigo Gasiglia de Souza reconhecendo que não houve imperícia profissional por parte da Oficiala de Justiça e evidenciando a rápida e eficiente atuação no caso concreto, com o registro de elogios à profissional.

InfoJus Brasil: com informações da Fenassojaf

quarta-feira, 18 de outubro de 2023

Instituto Unojus segue mobilizado no Congresso Nacional pela derrubada do veto 25


Representantes do Instituto Nacional dos Oficiais de Justiça (Unojus) estiveram nesta terça-feira (17) na Câmara dos Deputados em visita a gabinetes parlamentares com a missão de mobilizá-los e atuar pela derrubada do veto 25/23. O texto se refere, entre outros assuntos, à legalidade no pagamento acumulado da VPNI e GAE para Oficiais de Justiça e à não absorção da VPNI pelo PCS.

A análise do veto estava marcada para essas semana, porém, como o presidente da Casa, Deputado Arthur Lira (PP-AL), está em missão oficial no exterior a pauta da Câmara foi derrubada e a análise dos vetos adiada.

Com a perspectiva de que seja pautado nas próximas semanas, o Unojus continuará no trabalho de convencimento dos deputados na busca pela derrubada da medida. Assim, haverá a consequente e justa aprovação das emendas contidas no PL 2342 que beneficiam todos os servidores do Judiciário Federal.

InfoJus Brasil: informações da UniOficiais/Sindojus-DF

terça-feira, 17 de outubro de 2023

Após ordem de juiz, oficial de justiça vai a cemitério tentar intimar morto em assalto: 'chamado pelo nome duas ou três vezes'

Nos documentos do processo há um mandado para que a vítima de latrocínio fosse intimada. No documento feito pelo oficial de justiça ele diz que foi ao endereço recebeu a informação de que a pessoa a ser intimada 'reside no cemitério'.

Segundo certidão, oficial teria tentado cumprir intimação no cemitério da cidade — Foto: Google Earth

Imagine a situação: um juiz dá a seguinte ordem em uma sentença de condenação de um crime de latrocínio (roubo seguido de morte): “Intime-se a vítima, caso houver”. O oficial de justiça, em cumprimento, vai até o local onde intimado 'mora' atualmente: o cemitério. Chama pelo nome e, sem resposta, confirma o que parecia óbvio: a vítima estava morta.

Parece piada, mas esse cenário aconteceu no Judiciário Tocantinense neste mês. O caso envolve o juiz Baldur Rocha Giovannini e o oficial de justiça Cácio Antônio.

O latrocínio em questão foi registrado no dia 29 de abril de 2022, por volta das 22h, em Dueré, no sul do Tocantins. Francisco de Assis Sousa, estava em casa quando dois homens invadiram o local com uma faca e o mataram para roubar um celular, um televisão, uma moto e R$ 900 em dinheiro.

Passado um ano e cinco meses do crime, um dos réus foi condenado e nesta sentença, da 1ª Vara Criminal de Gurupi, está a ordem para intimação da vítima. No documento, assinado pelo juiz Baldur Rocha Giovannini, há o seguinte texto:

“Intime-se pessoalmente a vítima, e caso este seja falecida, intime-se o CADE (cônjuge, ascendente, descendente ou irmão) para que, querendo, execute perante o Juízo Cível, o dispositivo da sentença que condenou o acusado ao pagamento da indenização mínima, no valor de 100 (cem) salários mínimos. Intime-se a vítima (caso houver) da referida sentença, por força do art. 201, §2º, do CPP.”

Chamado no cemitério

Logo após o resultado do julgamento que condenou o réu a 21 anos de prisão, no dia 26 de setembro, foi assinado eletronicamente um mandado para cumprimento da intimação em nome da vítima, conforme mostra o texto:

“ [...] Juiz de Direito Titular da 1ª Vara Criminal da Comarca de Gurupi/TO, no uso de suas atribuições legais, MANDA ao Oficial de Justiça ou a quem este for distribuído, que proceda à: INTIMAÇÃO da vítima FRANCISCO DE ASSIS SOUSA, brasileiro, solteiro, nascido aos 08/08/1954, natural de Grajaú-MA [...]. FINALIDADE: Intimar do inteiro teor da sentença [...]”

No dia 4 de outubro, a Central de Mandados de Gurupi emitiu a curiosa certidão atestando que o oficial de justiça Cácio Antônio foi ao endereço da vítima, em Dueré. Chegando lá, conforme o documento, o servidor afirma que recebeu a informação de que a vítima 'reside no cemitério local'.

O oficial de justiça relatou então que foi ao cemitério, chamou duas ou três vezes pelo nome e até pelo apelido da vítima. Ao fim, confirmou o esperado: 'que o intimando encontra-se mesmo "morto"'. Por esse fato, deixou de proceder a intimação. (Veja no documento abaixo)


Certidão atestando que o oficial de Justiça tentou cumprir de intimação em cemitério — Foto: Divulgação

O que diz o Tribunal de Justiça

Em nota, o Tribunal de Justiça informou que de acordo com o juiz, 'não foi expedido nenhum mandado de intimação para pessoa morta' e que 'a atitude do oficial de justiça deverá ser apurada por órgão competente'. Porém há o pedido na decisão e um mandado expedido para o cumprimento da intimação da vítima. (Veja na imagem abaixo)

Mandado para intimar a vítima de latrocínio — Foto: Reprodução

O g1 entrou em contato com o Sindicato dos Oficiais de Justiça do Tocantins, mas não obteve posicionamento até o fechamento desta reportagem.

O oficial Cácio Antônio também foi procurado pela reportagem para dar a versão do ocorrido. Respondeu apenas que "falará em momento oportuno".

No mesmo dia em que o Tribunal de Justiça enviou a nota à imprensa, um novo documento do juiz Baldur foi incluído no processo determinando que a Corregedoria e a Diretoria local do Fórum sejam oficiadas para investigar a conduta do oficial de justiça. Um dos pontos do documento cita que a certidão gerou desconforto e qual seria a conduta correta do oficial de justiça:

Considerando a certidão do Oficial de Justiça acostado ao evento 88;

Considerando que a sentença acostada ao evento 84 foi explícita em determinar a intimação da vítima, se houvesse, ou o CADE (cônjuge, ascendente, descendente ou irmão) para que, querendo, execute perante o Juízo Cível, o dispositivo da sentença que condenou o acusado ao pagamento da indenização mínima;

Considerando que não tem nenhuma decisão para o oficial de justiça intimar ninguém morto em cemitério e que isto não é de praxe no Judiciário;

Considerando a ampla divulgação da referida certidão, que trouxe claro desconforto para este juízo;

Considerando ainda que a conduta correta seria de, no máximo, ter ido ao cartório e ter pegado segunda via da certidão de óbito e no mínimo intimar o CADE (cônjuge, ascendente, descendente ou irmão, conforme determinado;

Determino que seja oficiada a Corregedoria e a Diretoria local do Fórum, através do sistema SEI, com fim de averiguar a conduta do oficial de justiça CÁCIO ANTÔNIO DE OLIVEIRA, tomando as providências legais.

O oficial também foi questionado pela reportagem sobre o pedido de apuração da conduta na Corregedoria, mas não se posicionou.

InfoJus Brasil: com informações do G1 e Portal Migalhas

quarta-feira, 11 de outubro de 2023

Policiais Judiciais recém-empossados e em treinamento participam de apoio a Oficiais de Justiça durante cumprimento de mandados


Agentes da Polícia Judicial recém-empossados participam de apoio a Oficiais de Justiça para cumprimento de mandados judiciais em diligência conjunta como parte de treinamento

Diligência conjunta realizada pelos Oficiais de Justiça Bruno Costa e Ezequiel Paulo da Silva, pelos Agentes da Polícia Judicial Jocemar Pereira da Silva, Charles Cunha Nojosa, Leandro Yin Weng, Juan Carlos Raphael Najhan de Almeida Câmara, Alan Diego Gonçalves, André Pires Ramalho, David Baccarini Macías, e pelos Policiais Militares Cabo Gonçalves e Soldado Lantmann

Como parte da ambientação e treinamento dos Agentes da Polícia Judicial (APJ’s), que foram nomeados recentemente pelo TRT da 9ª. Região, foi realizada diligência conjunta que integrou Oficiais de Justiça e também membros da Polícia Militar do Paraná. Os servidores Bruno Costa e Ezequiel Paulo da Silva foram os Oficiais de Justiça responsáveis pelo cumprimento das determinações judiciais.

Bruno, que é também um dos coordenadores-gerais do Sinjutra, destacou a importância da experiência conjunta como parte da ambientação e do treinamento dos Agentes da Polícia Judicial. Para ele, que ficou bastante satisfeito com a atividade conjunta, a Polícia Judicial é uma importante demanda dentro dos tribunais. Ao todo sete novos APJ’s participaram da atividade.

“A nomeação dos profissionais desse ramo foi muito importante, algo realmente substancial. Não estou me recordando recentemente de tantos agentes da polícia judicial sendo nomeados assim de uma só vez”.

“Importante ressaltar também que a polícia judicial já vem dando apoio aos Oficiais de Justiça para cumprimento de ordens judiciais, e que quando ocorre a solicitação é porque esses servidores se fazem indispensáveis para o êxito da diligência, já que são eles que garantem a segurança e a integridade dos Oficiais de Justiça executando as ordens dos juízes. No entanto, acredito que o incremento do quadro de policiais judiciais é mais que necessário para que possam exercer e oferecer de maneira mais ampla e eficiente essa função. Infelizmente o quadro de APJ's ainda é insuficiente para que seu apoio possa ser prestado por toda a Jurisdição do nosso Tribunal. Mas acredito que essa nomeação é um sinal de que a nossa Administração reconhece a importância desses valorosos servidores e dessa necessidade premente. A Polícia Judicial é a primeira linha de defesa do nosso Tribunal, mas é, especialmente e além de tudo, linha de defesa e proteção dos nossos Juízes e servidores”, disse.

A posse dos APJ’s, em evento no TRT-PR, foi idealizada e acompanhada pelo Sinjutra, da qual participou, além de Bruno, o também coordenador-geral Miguel Szollosi. Foi nessa ocasião que o servidor Leandro Yin Weng, recém-filiado, teve o primeiro contato com o sindicato.

“O Sinjutra assim como os demais sindicatos de outras categorias são de fundamental importância para a defesa dos direitos dos trabalhadores e também da nossa categoria da polícia em si, porque ela tá crescendo agora e só com o tempo poderemos verificar quais as demandas que irão surgir. Acredito que o Sinjutra vai ser muito importante para defender os anseios da categoria e por isso resolvi me filiar”, afirmou.

A princípio tudo é novidade para Leandro, que afirmou estar gostando do novo cargo. Egresso da Petrobras, ele nunca havia trabalhado na área de segurança. Sobre a experiência da diligência conjunta, Leandro considerou bastante válida. “Gostei muito de acompanhar a diligência para sentir como é um pouco do dia a dia do Agente da Polícia, de saber como a polícia age ou por que que toma determinadas ações e atitudes”.

“Espero contribuir para elevar o bom nome da Polícia Judicial como um dos setores importantes para a atividade-fim do TRT, para manter a segurança de todo o quadro, tanto dos servidores, magistrados, como dos usuários. Está sendo muito bom ver que a Polícia Judicial é importante pra segurança tangível e intangível do tribunal”, ressaltou.

CNJ: Relatório da Justiça Intinerante Cooperativa na Amazônia Legal destaca trabalho dos Oficiais de Justiça


O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) divulgou o relatório final da Primeira Edição da Justiça Cooperativa da Amazônia Legal e destacou o trabalho desenvolvido pelos Oficiais de Justiça do Pará e as sugestões para o aprimoramento da sistemática de trabalho desenvolvido pela categoria.

Para Edvaldo Lima, que coordenou a equipe de Oficiais de Justiça, o trabalho desenvolvido pela equipe trouxe uma nova visão sobre a capacidade do Oficial de Justiça em resolver crises e buscar resultados alinhado ao uso da tecnologia, aperfeiçoando os procedimentos nas diligências, já utilizados durante o mutirão do Projeto SANAR-TJPA. 

Os Oficiais que fizeram parte da equipe foram: Edvaldo Lima Junior, Ronaldo Pampolha, Bruno Damasceno, Chrysthian Bernardes e Hamadan Pacheco. 


InfoJus Brasil: com informações do Sindojus-PA

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