sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

“Somos o inimigo a ser abatido”, avalia oficial de justiça feito refém do tráfico na Baixada Santista

Servidor sofreu ameaça sob a mira de armas e foi proibido de retornar ao local onde foi citar pessoa doente para comparecimento em perícia médica; Sindicato cobra política das administrações para preservar integridade dos oficiais frente às violências, cujos registros triplicaram entre 2017 e 2019.

Intimidação sob a mira de armamento, roubo (especialmente de veículos particulares usados nas diligências), assalto a mão armada, agressão física, ameaça de morte extensiva à família, entre outras violações, são cada vez mais parte da vida funcional dos oficiais de justiça no Estado de São Paulo. Segundo levantamento sobre casos de violência realizado pela própria Diretoria do Foro, em resposta a requerimento do Sintrajud, entre 2017 e 2019 triplicaram os registros formalizados, como pode ser verificado na tabela ao final deste texto.

Diretor de base do Sintrajud no Fórum da Justiça Federal em Santos, o oficial de justiça Luiz Felipe Corrêa Vasques foi a mais recente vítima. O servidor formalizou certidão informando à administração que, no último dia 14, permaneceu “minutos intermináveis” sendo ameaçado e interrogado por traficantes armados com pistolas, no bairro Rádio Clube.

Luiz afirma ainda que foi advertido “de que jamais poderia ter ingressado naquela via sem ter sido autorizado pelos outros traficantes que faziam a guarda do local”, enquanto os homens armados discutiam se executariam ou não o servidor, que levava consigo somente o documento de intimação a uma pessoa que deverá ser submetida a perícia médica para obter benefício previdenciário.

Após identificarem o morador que seria citado, os homens levaram o cidadão à presença de Luiz, que posteriormente foi autorizado a deixar “lentamente” o local, sob o alerta de que “jamais” poderia voltar “sem prévia autorização”, relatou.

“Em nenhum dos caminhos da periferia da Zona Noroeste de Santos é possível entrar sem ser abordado. E vai ser abordado com arma de fogo, não tem jeito. São soldados do tráfico, estão ali para guardar o território, e se a abordagem não for “eficiente” você pode tomar um tiro mesmo. E eles usam armas de grosso calibre: ponto 40, fuzis. E você é o agente do Estado legal, que eles não reconhecem, e que está ali desprotegido, no “estado” que existe, que é o deles. Nós somos o inimigo a ser abatido. Qualquer agente do Estado é um inimigo em potencial a ser abatido”, disse Luiz à reportagem do Sintrajud.

O servidor ressaltou ainda que em casos como esse não há necessidade de expor os oficiais de justiça a riscos. “A intimação deveria se dar na pessoa do advogado, e não por meio de oficiais de justiça. É uma falha [do procedimento]. Tenho certeza de que não é uma falha proposital, mas institucional”, prosseguiu.

Logo que o episódio aconteceu, a primeira preocupação do oficial foi informar o ocorrido a outro colega que tinha mandados a cumprir na mesma localidade. A falta de racionalidade na distribuição dos mandados judiciais, que expõe diversos trabalhadores a ameaças à sua integridade, vem sendo questionada há tempos pelo Sindicato. Outras categorias, como os funcionários dos Correios, já têm rotinas funcionais que desobrigam o trabalhador de ingressar em áreas de risco. Essa é uma das medidas que o Sintrajud e as associações de oficiais vêm buscando efetivar tanto na Justiça Federal de São Paulo como no Judiciário Trabalhista.

Administração reconhece situação insustentável

No dia do evento, Luiz comunicou a Central de Mandados do ocorrido, que informou ao juiz corregedor. Nesta terça-feira (18 de fevereiro) o juiz se reuniu com o servidor e ficou estabelecido que será aberto um procedimento administrativo (Processo SEI) com o objetivo de delimitação das áreas percorridas pelos oficiais de justiça e mapeamento dos riscos durante as diligências. O expediente será ainda enviado à Corregedoria para que sejam adotadas medidas administrativas e de organização do trabalho com vistas a preservar a integridade deste segmento da categoria que exerce solitariamente, e na maioria das vezes utilizando veículo próprio, a função de fazer cumprir as decisões judiciais.

“Tomei conhecimento de uma reunião ocorrida entre os juízes na própria sexta-feira, no dia dos fatos, e estive hoje com o juiz corregedor da Central de Mandados, que me comunicou que abriria um processo SEI para que algumas providências fossem encaminhadas à Corregedoria”, relata.

“Eles reconheceram que a situação é insustentável. Estamos controlados, o estado todo é dominado por uma facção e em geral acabamos acuados sem nem sabermos a quem recorrer. O que aconteceu comigo poderia ter sido pior. A gente não pode tombar, porque tem esposa, filhos, no meu caso tenho mãe idosa, de 82 anos, pessoas que dependem da gente”, contou Luiz, ainda sob o choque dos intermináveis minutos sob ameaça explícita.

O caso tem circulado também em diversos grupos de WhatsApp após o Núcleo de Oficiais de Justiça do Sintrajud ter sido informado. A reportagem do Sindicato buscou assegurar ao servidor o tempo necessário para que se recompusesse do susto antes de ouvi-lo.

Vitimização

Esta não foi primeira violência enfrentada por Luiz Felipe, que ingressou no Judiciário em 1995 como técnico e desde 2004 exerce a função de oficial de justiça avaliador federal após ter sido aprovado em novo concurso. Há cerca de oito anos, o oficial viveu outra ocorrência, na localidade denominada Morro de São Bento. “E foi também no meio do dia, porque a gente sempre procura ir nesses locais em horários de maior movimento. Mas somos a representação do Estado e aí vamos ser sempre vítimas de abordagens violentas, e muitas vezes com arma de fogo”, conta.

A campanha contra a estabilidade no serviço público, intensificada pela mídia e o governo para convencer a população de que seria necessária a ‘reforma’ administrativa construída pelo Planalto, não traz a público situações como a vivida por Luiz Felipe e outros colegas cotidianamente.

O Sintrajud já requereu formalmente aos tribunais medidas de segurança para proteção ao segmento dos oficiais de justiça. Entre as iniciativas propostas estão: a maior publicidade sobre os canais de denúncia das violências sofridas; acompanhamento psicossocial; elaboração de bancos de dados com todas as informações possíveis sobre os casos de violência contra o segmento e regiões de maior incidência em toda subseção (mapeamento de áreas de risco); e treinamento específico para atuação em cenários de ameaça à integridade e à vida.

“Mais um grave e triste episódio que reforça a importância da luta por melhores condições de trabalho e pelo reconhecimento da condição de atividade de risco, que seguiremos exigindo das administrações, que são, em última instância, responsáveis pela segurança, integridade e a vida dos trabalhadores a serviço do judiciário”, informa o diretor do Sindicato e servidor do TRT-2 Tarcisio Ferreira.

Fonte: Sintrajud-SP

Editado em 21/02/2020 às 13:20 horas para correção da imagem que ilustra a postagem. Imagem da internet.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Fórum Trabalhista de Santo André suspende atividades após suicídio nesta quinta (20/02)

Corpo de Bombeiros e Samu foram acionados e óbito foi constatado 

Funcionário do Fórum Trabalhista se joga do 10º andar de prédio em Santo André; Corpo de Bombeiros foi acionado.

Um funcionário do Tribunal Regional do Trabalho se jogou do 10º andar de prédio que fica na rua Monte Casseros, em Santo André, e os expedientes do Fórum estão suspensos nesta quinta-feira (20/02).

“O Fórum Trabalhista de Santo André, na região do ABC Paulista, teve o expediente suspenso nesta quinta-feira. As audiências serão redesignadas e os prazos processuais ficam suspensos (inclusive PJe). As novas designações das audiências serão regularmente comunicadas às partes e aos seus procuradores, à exceção dos julgamentos, cujas sentenças serão oportunamente publicadas”, informou Rilma Aparecida Hemetério, desembargadora do Trabalho e Presidente do Tribunal.

A Polícia Civil investiga o caso. Ainda não foi revelada a identidade do funcionário.

Roberson Silva dos Santos era funcionário do Tribunal Regional do Trabalho. Foto: Reprodução/Redes Sociais

O Departamento da qual o funcionário pertencia também emitiu uma nota de condolências. “É com profunda tristeza que recebemos a notícia do falecimento do servidor, conciliador e amigo ROBERSON SILVA DOS SANTOS, lotado no CEJUSC-JT ABC. Nossas condolências à família e amigos enlutados para que encontrem coragem e força para superarem este momento de dor e de grande perda. Declaro nossos agradecimentos e homenagens pela amizade, companheirismo e por todo labor realizado em prol do NUPEMEC-JT/CEJUSC-JT ABC”, afirmou Luiz Antonio Loureiro Travain, Diretor de Sec. NUPEMEC-JT2 – CI 1ª Inst.

Fonte: ABC JORNAL

TJBA lança cartilha de segurança para Oficiais de Justiça


No ano de 2016, o SINDOJUS-BA, Sindicato dos Oficiais de Justiça do Estado da Bahia, solicitou ao TJBA que sua comissão de segurança confeccionasse um manual no qual constasse orientações e procedimentos de segurança durante os diversos tipos de diligências aos quais a categoria se expõe cotidianamente.

Ao final de 2019, mas anexado ao processo recentemente, a Comissão Permanente de Segurança do Tribunal de Justiça finalmente terminou de elaborar a primeira versão da cartilha intitulada Procedimentos de Segurança para Oficiais de Justiça. Foram abordados aspectos como legislação específica, estudo do local, planejamento e abordagem em diligências, defesa pessoal e uso do veículo automotivo.


Apesar da flagrante ausência, neste início, de servidores do oficialato ou representante do sindicato específico dessa categoria, o que poderia complementar e detalhar as diversas situações que este profissional encontra nas ruas, o SINDOJUS-BA não poderia deixar de parabenizar o Tribunal de Justiça da Bahia por ter atendido a este pedido e com isso ter desenvolvido o primeiro material do tipo entre todos os tribunais de justiça estaduais.

A partir de agora, a discussão constante sobre segurança da categoria e a elaboração e enriquecimento desta cartilha ganham um caráter oficial com o apoio do TJBA.

Fonte: Sindojus-BA

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Temas específicos dos Oficiais de Justiça são abordados durante Encontro Regional do Sitraemg


Temas específicos dos Oficiais de Justiça como segurança e os riscos da função e VPNI X GAE foram abordados durante o Encontro Regional promovido pelo Sitraemg em Belo Horizonte.

As pautas foram apresentadas pela presidenta da Assojaf-MG e conselheira do sindicato Paula Drumond Meniconi e pelo diretor jurídico da associação, Geraldo Magela.

O Oficial de Justiça e coordenador do Sitraemg Hélio Diogo e o psicólogo Arthur Lobato, do Departamento de Saúde do Trabalhador e Combate ao Assédio Moral (DSTCAM) também compuseram o painel sobre “Violência e segurança no trabalho dos Oficiais de Justiça, assédio moral, riscos psicossociais e outros informes específicos da categoria”.

Hélio Diogo atua como Oficial de Justiça há 25 anos e ressaltou que “para cumprir os mandados somos submetidos a violência verbal que, em diversas vezes, dói mais que a agressão física”.

A presidenta Paula Meniconi comentou a afirmação do ministro Paulo Guedes que chamou os servidores de “parasitas”. De acordo com ela, “essa violência coletiva será sentida, individualmente, ao desempenhar a nossa função. Vão falar ‘lá vem a parasita’, além do que já passamos e ouvimos por ser uma visita odiada e indesejada”, enfatizou.

O psicólogo Arthur Lobato destacou que uma das características que diferencia o Oficial de Justiça do servidor é o trabalho externo. “A questão é além da violência visível, como ser agredido, existe também a violência invisível por meio das humilhações. É importante o Oficial fazer o registro no Tribunal relatando o assalto, capotamento de veículo, entre outras situações para mostrar a atual realidade em busca de soluções”.


Ainda durante o encontro, o diretor jurídico da Assojaf-MG deu detalhes da atuação em favor da manutenção do pagamento da VPNI e GAE aos Oficiais federais de Minas. Geraldo explicou sobre as reuniões ocorridas com as Administrações do TRT-3 e TRF e do empenho da associação na defesa dos associados.

“Este é um tema que tem causado grande preocupação para os Oficiais de Justiça em todo o Brasil e a Assojaf-MG atua, desde o primeiro minuto, para garantir a manutenção do pagamento”, finaliza Paula.

Da assessoria de imprensa, Caroline P. Colombo com informações do Sitraemg

Fonte: Assojaf-MG

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Diretoria da ASSOJAF-GO se reúne com prefeito Iris Rezende em defesa do livre estacionamento

A vice-presidente da ASSOJAF-GO, Fernanda Dias Rocha, esteve, no início desta semana, em audiência com o prefeito Iris Rezende para tratar de projeto que prevê a livre parada e estacionamento dos Oficiais de Justiça, da capital, quando em cumprimento de ordens judiciais. A audiência foi solicitada pela ASSOJAF-GO e pelo vereador Alfredo Bambu (Patriota), que apoia a causa da categoria.

A proposta, que estabelece o livre estacionamento para os Oficiais de Justiça, será analisada pela Procuradoria do Município, que terá, através de justificativa entregue na oportunidade, subsídios que demonstram o mínimo impacto orçamentário para o Município, por um lado, e o grande benefício para os Oficiais de Justiça e a própria prestação jurisdicional, por outro.

"Nos próximos meses, o pleito da ASSOJAF-GO será analisado pelo Município. Fomos muito bem recebidos pelo prefeito Iris Rezende, que se mostrou sensível à causa do oficialato. O pleito é justo e já está em aplicação em várias outras capitais brasileiras", cita Fernanda Rocha.

Fonte: Assessoria de Comunicação da ASSOJAF-GO | Ampli Comunicação

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