quarta-feira, 19 de março de 2025

Um Tiro na Justiça: O Assassinato da Oficial de Justiça Terezinha Vieira


A série especial "Oficial de Justiça: Atividade de Risco", do InfoJus Brasil, expõe a vulnerabilidade desses profissionais, que diariamente enfrentam ameaças ao cumprir determinações judiciais. Entre os casos mais impactantes está o brutal assassinato da oficial de Justiça Terezinha Vieira de Sousa, ocorrido em 27 de maio de 2006, em Samambaia, a apenas 32 quilômetros da Praça dos Três Poderes, o coração político do Brasil.

Execução em pleno cumprimento do dever legal

Terezinha Vieira de Sousa, uma servidora exemplar de 51 anos, cumpria mandados em um sábado aparentemente comum quando foi abordada por dois criminosos. O ataque aconteceu por volta das 12h30. Ela foi atingida por um tiro na cabeça, morta de forma covarde enquanto trabalhava. Os acusados, Paulo René Alves Sampaio e Damião Nascimento Silva, foram presos e condenados por latrocínio (roubo seguido de morte), recebendo penas de 24 e 20 anos e seis meses de prisão, respectivamente.

No entanto, a versão de que foi um assalto mal sucedido sempre gerou dúvidas. Familiares e colegas de Terezinha acreditam que o crime pode ter sido uma represália direta à sua função de oficial de Justiça. No momento do ataque, ela estava intimando uma pessoa em prisão domiciliar, já envolvida em vários processos criminais. Testemunhas apontaram que os assassinos tentaram levar seu carro, mas desistiram diante da presença de testemunhas. Para Denis Lopes, então presidente da Associação dos Oficiais de Justiça do Distrito Federal (Aojus), não há dúvidas: “Ele sabia que ela era oficial de Justiça. Isso é fato”.

Dor e revolta

A perda de Terezinha causou comoção e indignou a categoria. Durante seu velório, colegas de profissão protestaram contra a falta de segurança e exigiram providências. Seu filho mais velho, Richard de Souza, destacou a dedicação da mãe ao trabalho e lamentou a crueldade do crime: “Não existe nenhuma possibilidade dela ter reagido. Foi covardia desse cara!”.

Pouco mudou em mais de uma década

Mais de 18 anos após a tragédia, a realidade dos oficiais de Justiça segue marcada pela insegurança. Segundo representantes sindicais e associativos dos oficiais de Justiça, a categoria continua exposta a riscos extremos. Ou seja, continuam indo sozinhos, desarmados, sem coletes balísticos, sem informações sobre o destinatário da diligência e sem comunicação rápida com o Tribunal.

As ameaças vão além de roubos e homicídios. Oficiais de Justiça frequentemente relatam casos de agressões, ameaças, sequestros e violência psicológica, o que tem causado um alto índice de afastamentos por problemas de saúde mental. O assassinato de Terezinha foi um alerta que ainda não foi ouvido. Os oficiais de Justiça continuam desprotegidos.

Homenagens e a luta pela segurança

O TJDFT homenageou Terezinha nomeando a Sala dos Oficiais de Justiça do Fórum de Taguatinga em sua memória e concedendo à sua filha a Comenda “Alta Distinção”. No entanto, para os colegas, a verdadeira homenagem seria a adoção de medidas concretas para garantir a segurança da categoria.

As entidades representativas dos oficiais de Justiça em todo o Brasil pressionam pelo reconhecimento legal da atividade como de risco. Entre as principais reivindicações estão o porte de armas, o fornecimento de equipamentos de proteção e melhorias na estrutura de apoio durante o cumprimento de mandados. “Se os oficiais deixarem de entregar os mandados, a Justiça para”, enfatiza Alexandre Mesquita, oficial de Justiça, em publicação na imprensa.

O caso de Terezinha Vieira de Sousa permanece como um símbolo da fragilidade da segurança dos oficiais de Justiça. Sua morte escancarou a exposição desses profissionais ao perigo e reforçou a necessidade urgente de mudanças estruturais. Enquanto a Justiça tarda em agir, os oficiais seguem enfrentando o risco diário, muitas vezes sem qualquer proteção, mas com a missão inabalável de levar a Justiça a todos os cantos do país.

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terça-feira, 18 de março de 2025

Uma morte anunciada: Assassinato do Oficial de Justiça Juarez Preto revelou situação de violência contra a categoria

Quem leva justiça não pode ser vítima da insegurança

Imagem: informativo Hora Certa, Abojeris, Julho-2008.

A execução brutal do oficial de justiça Juarez Preto, em 2008, em Caxias do Sul (RS), evidenciou a violência enfrentada diariamente por esses profissionais no cumprimento de seu dever. O caso, marcado por vingança e brutalidade, levou à condenação do criminoso, mas também deixou um alerta: a segurança dos oficiais de justiça continua negligenciada.

A morte de Juarez Preto

Na noite de 30 de abril de 2008, Juarez Preto realizava uma diligência quando entrou em um bar para pedir informações e foi reconhecido por Roberto da Conceição Araújo. O criminoso, que havia sido alvo de medidas do Juizado da Infância e Juventude, decidiu se vingar do oficial de justiça e, sem qualquer aviso, sacou uma arma e atirou à queima-roupa, atingindo o pescoço de Juarez, que morreu no local.

O impacto do crime foi imenso. Colegas de profissão, familiares e amigos de Juarez clamaram por justiça e por mais proteção para os oficiais de justiça. Durante o julgamento do assassino, muitos compareceram vestindo camisetas com a frase "Segurança pra quem leva Justiça", reforçando o pedido por melhores condições de trabalho para a categoria.

Julgamento e condenação

Dois anos após o crime, em 2010, Roberto da Conceição Araújo foi levado a julgamento. O tribunal do júri, após 10 horas de sessão, condenou o réu a 21 anos de prisão pelo homicídio e mais um ano e dois meses pelo crime de receptação, pois foi preso dirigindo um carro roubado enquanto tentava fugir. Ao todo, a pena ficou em 22 anos e dois meses de reclusão.

A sentença trouxe algum alívio para a família e para os colegas de Juarez, mas não apagou o sentimento de revolta e insegurança que continua a assombrar os oficiais de Justiça em todo o Brasil.

A profissão e os riscos a ela inerentes

O caso de Juarez Preto é apenas um entre tantos outros exemplos de violência sofrida pelos oficiais de justiça. Responsáveis por cumprir decisões judiciais, esses profissionais realizam citações, intimações, prisões, buscas e apreensões, penhoras, reintegrações de posse e afastamento de agressores em casos da Lei Maria da Penha. Muitas dessas diligências são realizadas em ambientes hostis, colocando a vida dos oficiais em risco constante.

Diante dessa realidade, a categoria continua exigindo medidas de segurança urgentes, como o reconhecimento da atividade de risco, o direito ao porte de arma para defesa pessoal, equipamentos de segurança, treinamentos especializados e apoio psicológico para lidar com as adversidades da profissão.

A morte de Juarez Preto não pode ser esquecida. Seu caso representa o drama vivido por milhares de oficiais de justiça, que seguem exercendo sua função essencial para a Justiça, mas sem a proteção necessária para garantir sua própria sobrevivência.

A série "Oficial de Justiça: Atividade de Risco", do InfoJus Brasil, mostra os perigos enfrentados pelos oficiais no cumprimento de mandados. Com relatos reais, a produção expõe ameaças, agressões e atentados sofridos pela categoria, destacando a necessidade de mais segurança e reconhecimento para esses profissionais.

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segunda-feira, 17 de março de 2025

Justiça sob tiros: O Assassinato da Oficial de Justiça Sandra Regina Smaniotto e a luta por segurança


No dia 23 de abril de 2009, a Oficial de Justiça Sandra Regina Ferreira Smaniotto foi brutalmente assassinada enquanto cumpria seu dever em São Paulo. O crime, cometido pelo ajudante-geral Reinaldo do Carmo Guerreiro, de 31 anos, expõe os riscos enfrentados diariamente pelos Oficiais de Justiça no cumprimento de ordens judiciais.

O crime

Sandra, que atuava como Oficial de Justiça havia 22 anos na 3ª Vara Cível do Fórum Regional de Santo Amaro, foi alvejada com nove tiros enquanto cumpria um mandado de busca e apreensão de uma motocicleta na região da Guarapiranga, zona sul de São Paulo. O autor do crime, um ex-presidiário com histórico de roubo e extorsão, confessou o assassinato e justificou sua ação como uma reação ao "jeito" como a servidora falou com ele.

A Polícia Civil descartou qualquer possibilidade de conduta irregular por parte da Oficial de Justiça e destacou que Sandra foi vítima de um crime premeditado. De acordo com relatos, o criminoso chegou a ligar para a servidora e combinou o encontro no local da apreensão, onde a emboscou e efetuou os disparos.

A condenação do assassino

Cinco anos após o crime, em 2014, Reinaldo do Carmo Guerreiro foi julgado e condenado a 24 anos e seis meses de prisão, em regime fechado, pelos crimes de homicídio duplamente qualificado e porte ilegal de arma de fogo. O julgamento contou com a presença de diversos Oficiais de Justiça, vestidos de preto, que fizeram vigília até a sentença final.

O medo e a insegurança na categoria

O assassinato de Sandra Regina Ferreira Smaniotto intensificou o receio entre os Oficiais de Justiça. Segundo a Associação dos Oficiais de Justiça Avaliadores do Estado de São Paulo (ASSOJASP), a profissão enfrenta um cenário crítico de insegurança, agravado pelo déficit de mais de 4.000 servidores no estado.

A categoria denuncia constantemente as ameaças e agressões verbais sofridas no exercício da função. Entre as principais reivindicações está a liberação para o porte de arma de fogo e a oferta de treinamentos de autodefesa. Muitos profissionais afirmam que atuam desarmados e sem qualquer suporte policial em situações de alto risco, como despejos, reintegrações de posse e cumprimento de mandados de prisão.

O reconhecimento da atividade de risco

O caso de Sandra Smaniotto é apenas um entre vários exemplos da periculosidade enfrentada pelos Oficiais de Justiça. A categoria busca o reconhecimento legal da atividade de risco, a fim de garantir melhores condições de trabalho e medidas de segurança que reduzam os perigos diários da profissão.

Os Oficiais de Justiça desempenham um papel essencial no funcionamento da Justiça, sendo responsáveis por executar ordens judiciais, realizar intimações, citações, penhoras, apreensões, reintegrações de posse e diversas outras funções fundamentais para a efetividade do Judiciário. No entanto, sem a devida proteção, continuam vulneráveis a ataques e represálias.

O assassinato de Sandra não pode ser esquecido. Sua história reforça a necessidade urgente de mudanças na legislação e na segurança dos Oficiais de Justiça, para que possam exercer seu trabalho com dignidade e proteção adequada.

A série "Oficial de Justiça: Atividade de Risco", do InfoJus Brasil, mostra os perigos enfrentados pelos oficiais no cumprimento de mandados. Com relatos reais, a produção expõe ameaças, agressões e atentados sofridos pela categoria, destacando a necessidade de mais segurança e reconhecimento para esses profissionais.

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OFICIAL DE JUSTIÇA: ATIVIDADE DE RISCO


O site InfoJus Brasil lança uma série de reportagens destacando os riscos enfrentados pelos oficiais de Justiça durante o cumprimento de mandados judiciais. Ao longo dos anos, diversos profissionais tombaram no exercício de suas funções, vitimados pela violência que permeia a execução das ordens judiciais.

Responsáveis por transformar decisões judiciais abstratas em ações concretas, os oficiais de Justiça cumprem uma variedade de mandados, desde comunicações processuais até prisões, passando por despejos, penhoras, buscas e apreensões, reintegrações de posse, constatações e verificações. Recentemente, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), por meio da Resolução 600/2024, ampliou suas atribuições, incluindo a inteligência processual para localização de bens e pessoas.

As entidades representativas da categoria lutam pelo reconhecimento da atividade de risco, pleiteando melhores condições de trabalho e segurança. Desde a entrada em vigor do Estatuto do Desarmamento (Lei 10.826/2003), mais de 30 oficiais de Justiça perderam suas vidas no exercício da profissão. Esse cenário tem intensificado as mobilizações da classe para garantir proteção e respeito aos profissionais.

Nesta série de reportagens, relembramos casos de violência contra oficiais de Justiça que chocaram a categoria e a sociedade. Um desses casos foi o assassinato da oficial de Justiça Sandra Regina Ferreira, ocorrido em 2009 durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão de um veículo.

Sandra, de 48 anos, foi morta por Reinaldo do Carmo Guerreiro, que deveria ter seu veículo apreendido devido ao atraso nas prestações. Ela nem chegou a descer do carro quando foi surpreendida pelos disparos do criminoso, que efetuou nove tiros contra o veículo. Reinaldo, que já havia cumprido pena por roubo e extorsão, foi preso em flagrante e indiciado por homicídio doloso. O crime gerou comoção entre colegas de profissão e reforçou o apelo por medidas que garantam mais segurança aos oficiais de Justiça.

Ao longo desta série, o InfoJus Brasil dará visibilidade a outros casos e aprofundará a discussão sobre a necessidade de reconhecimento da atividade de risco. Acompanhe e participe desse debate essencial para a justiça e segurança dos profissionais que atuam na linha de frente do Poder Judiciário.

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quinta-feira, 13 de março de 2025

PL da atividade de risco dos Oficiais de Justiça será pautado no dia 25 de março na Câmara dos Deputados


O Projeto de Lei 4015/2023, que reconhece a atividade de risco dos Oficiais de Justiça e estabelece o agravamento de penas para crimes cometidos contra esses profissionais no exercício de suas funções, será pautado para votação no Plenário da Câmara dos Deputados no dia 25 de março de 2025. A data coincide com o Dia Nacional do Oficial de Justiça, em homenagem à categoria, o que representa um gesto simbólico dos parlamentares em reconhecimento à importância desses profissionais.

A informação foi publicada nesta data pelo Instituto Unojus, uma das entidades que atuam na defesa dos Oficiais de Justiça. A tramitação do PL é resultado da mobilização de diversas entidades representativas da classe, entre elas a Afojebra, o Instituto Unojus, a Fenassojaf, a Fesojus, o Sindojaf e outras associações e sindicatos regionais. Nos últimos meses, essas entidades intensificaram o trabalho de articulação política, promovendo encontros com lideranças partidárias e entregando notas técnicas que evidenciam a crescente violência contra Oficiais de Justiça e a necessidade de medidas de proteção mais eficazes.

A discussão em torno do projeto ganhou ainda mais destaque após recentes episódios de agressões sofridas por Oficiais de Justiça no exercício de suas atribuições. A expectativa entre os representantes da categoria é positiva, e há uma grande mobilização para que o projeto seja aprovado nesta data considerada histórica para os profissionais da Justiça.

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