Uma diligência de busca e apreensão de veículo terminou em agressões físicas e verbais contra uma Oficiala de Justiça no município de Várzea Paulista, interior de São Paulo. O caso aconteceu no último sábado (9) e reacendeu o alerta sobre os riscos enfrentados diariamente pelos Oficiais de Justiça no exercício da função.
A servidora, identificada pelas iniciais L.R.S., é lotada na comarca de Franco da Rocha e atuava cumulativamente em Várzea Paulista no momento da ocorrência.
Cumprimento de mandado terminou em violência
Segundo informações divulgadas pela Associação dos Oficiais de Justiça do Estado de São Paulo, a diligência teve início por volta das 18h em um estabelecimento comercial localizado em Várzea Paulista.
Inicialmente, o requerido demonstrou colaboração com o cumprimento da ordem judicial de busca e apreensão do veículo. No entanto, a situação mudou após a intervenção da esposa dele, que passou a incentivar o descumprimento da ordem judicial e exigir a presença de força policial.
Mesmo com o acionamento da Guarda Civil Municipal e da Polícia Militar, a Oficiala de Justiça prosseguiu com o cumprimento do mandado.
Oficiala foi agredida com tapa, socos e puxões de cabelo
De acordo com o relato da servidora, o ataque ocorreu de forma repentina enquanto ela conferia documentos relacionados à diligência.
A Oficiala afirmou ter sido atingida com um forte tapa no rosto, além de socos e puxões de cabelo.
Segundo o depoimento, a situação aparentava estar sob controle até o momento da agressão.
“Eu tentei atender as objeções da melhor forma possível, mas ela surtou. Foi um tapa certeiro enquanto eu escrevia, eu não esperava por aquilo”, relatou a Oficiala de Justiça.
Fiel depositário também foi atacado
A violência não se limitou à agressão contra a Oficiala.
Segundo a entidade, o fiel depositário que acompanhava a diligência também foi brutalmente agredido pelo requerido e por outros dois homens não identificados, que tentavam recuperar as chaves do veículo.
O representante da instituição financeira foi derrubado ao chão e sofreu escoriações e danos materiais.
As agressões só cessaram após as chaves do automóvel serem lançadas em uma área de vegetação, impedindo a retomada do veículo pelos agressores.
Antes da chegada da Polícia Militar, os envolvidos fecharam o estabelecimento e fugiram do local.
Caso foi registrado em delegacia
Após a ocorrência, as vítimas foram encaminhadas para registro de boletim de ocorrência e realização de exames de corpo de delito.
Mesmo na unidade policial, segundo o relato, a Oficiala ainda teria sido alvo de desacato e ofensas verbais por parte da mulher envolvida nas agressões.
O veículo foi removido após o cumprimento da ordem judicial.
“Hoje eu sinto medo”, relata Oficiala
Em depoimento divulgado pela AOJESP, a Oficiala afirmou que o episódio deixou impactos emocionais além das lesões físicas.
“Hoje eu sinto medo. O medo de acontecer algo pior, como uma morte. Eu estava apenas fazendo o meu trabalho”, declarou.
AOJESP cobra mais segurança para a categoria
A Associação dos Oficiais de Justiça do Estado de São Paulo informou que acompanha o caso e presta suporte à servidora.
A entidade também voltou a defender melhores condições de segurança para os Oficiais de Justiça durante o cumprimento de mandados judiciais.
O episódio soma-se a outros casos recentes de violência registrados contra Oficiais de Justiça em diferentes estados do país, reforçando o debate sobre segurança institucional da categoria.


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