Uma Oficial de Justiça do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1) denuncia situação de sobrecarga extrema de trabalho na região de Cabo Frio (RJ). Segundo o relato, sua caixa chegou nesta terça-feira (8) a 1.860 mandados pendentes, enquanto ela permanece praticamente sozinha para atender quatro municípios.
A Oficial de Justiça, identificada pelas iniciais I.B.A.L.J., foi removida para Cabo Frio em junho. As Varas do Trabalho da comarca também possuem jurisdição sobre Arraial do Cabo, São Pedro da Aldeia e Armação dos Búzios.
Quando chegou à unidade, havia três Oficiais de Justiça em exercício. Posteriormente, um entrou em licença médica e outra Oficial de Justiça passou a trabalhar com carga reduzida por questões de saúde. Na prática, segundo o relato, I.B.A.L.J. ficou responsável pelo atendimento integral dos quatro municípios.
Quase 2 mil mandados pendentes
Na segunda-feira (7), havia 1.826 mandados em sua caixa, sendo 323 distribuídos em caráter de urgência. Na manhã desta terça-feira, outros 34 foram encaminhados, elevando o total para 1.860 ordens pendentes.
Somente nos quatro primeiros dias úteis de setembro, a Oficial de Justiça afirma ter recebido 235 novos mandados.
“São quase dois mil mandados, e recebo mais e mais todos os dias. [...] É humanamente impossível”, relata.
Segundo a Oficial de Justiça, o volume dificulta até mesmo a organização e identificação das ordens urgentes. Ela afirma que vem comunicando a situação à Administração, mas, após quase três meses, ainda não houve solução estrutural suficiente para normalizar a carga de trabalho.
Trabalho em finais de semana e feriados
Além das diligências externas, a rotina inclui organização dos mandados, certificações, comunicações com as Varas e atendimento relacionado ao cumprimento das ordens.
Diante da demanda, a Oficial de Justiça relata trabalhar também em finais de semana e feriados, com reflexos na vida pessoal e familiar.
Mãe de uma criança de cinco anos, ela contou que o filho chegou a reclamar, chorando, que a mãe trabalhava demais e não tinha mais tempo para brincar com ele.
A servidora também afirma não ter recebido o acompanhamento previsto para Oficiais de Justiça transferidos para novas localidades, tendo buscado apoio dos próprios colegas para conhecer áreas de risco e peculiaridades dos quatro municípios.
Entre as medidas apontadas como necessárias estão a limitação da distribuição de mandados, suspensão dos prazos diante do acúmulo e recomposição do quadro de Oficiais de Justiça.
A Oficial de Justiça decidiu tornar pública a situação por entender que o problema ultrapassa seu caso individual e precisa ser conhecido e debatido.
IMAGEM ILUSTRATIVA
Fonte: Fenassojaf
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