Às vésperas do Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, uma reportagem publicada pelo portal jurídico Migalhas trouxe destaque à atuação das Oficialas de Justiça no cumprimento das decisões judiciais. A matéria apresenta a rotina da oficiala Gina Geipel, que atua no Tocantins há mais de três décadas e relata os desafios e responsabilidades da profissão exercida nas ruas.
Responsáveis por cumprir e executar ordens judiciais, os Oficiais e Oficialas de Justiça são os servidores que transformam decisões proferidas nos gabinetes em realidade concreta na sociedade. Intimações, medidas protetivas, despejos, reintegrações de posse e outras determinações judiciais passam diretamente por esses profissionais.
Na reportagem, Gina resume o papel do oficialato na estrutura do Judiciário:
“O juiz decide uma coisa dentro do gabinete dele. Mas quem é que vai fazer aquilo ser cumprido lá fora? Somos nós, oficiais de Justiça.”
A rotina nas ruas e o contato direto com os conflitos
Segundo a oficiala, grande parte das diligências envolve comunicar decisões judiciais que muitas vezes são recebidas com resistência ou tensão. Entre os atos mais frequentes estão intimações, afastamentos do lar, medidas protetivas e despejos.
“Geralmente, a gente manda notícia ruim”, explica.
Para além da comunicação formal das ordens judiciais, Gina destaca que o trabalho exige também escuta, orientação e esclarecimento às partes, especialmente porque muitas pessoas desconhecem aspectos básicos do funcionamento da Justiça.
“As pessoas são carentes de informação. Informações básicas.”
Ela ressalta que, mesmo quando se trata de alguém acusado em um processo, é papel do Oficial de Justiça garantir que o destinatário compreenda seus direitos e o significado jurídico da comunicação recebida.
Mulheres na linha de frente da execução judicial
A reportagem também aborda a presença feminina na carreira. Gina relata que já enfrentou situações em que houve resistência de homens em aceitar uma ordem judicial transmitida por uma mulher.
“Foi muito visível a questão de não aceitar uma mulher no comando de uma ordem dessas.”
Apesar disso, ela afirma que aposta no diálogo e em técnicas de comunicação não violenta para lidar com situações de conflito durante as diligências.
Outro desafio mencionado é manter o equilíbrio emocional diante das histórias e conflitos vivenciados diariamente no exercício da função.
“Você está lidando com o problema de todo mundo, mas precisa entender que o problema dele não é seu.”
Das ruas para as redes sociais
Além da atuação nas diligências externas, Gina também passou a utilizar as redes sociais para divulgar o cotidiano da profissão e explicar à sociedade o papel do oficialato.
A iniciativa surgiu ao perceber que muitas pessoas desconheciam a amplitude das atribuições da carreira, que vão desde prisões e buscas e apreensões até comunicações processuais complexas.
Com o tempo, ela passou a integrar um coletivo de Oficiais de Justiça que compartilham experiências profissionais e conteúdos informativos sobre a atividade.
Segundo Gina, mesmo pessoas próximas se surpreendem ao descobrir a variedade de funções exercidas pelos Oficiais de Justiça.
“Eu tenho colegas, amigos, que convivem comigo há anos, e quando comecei a divulgar mais minha profissão, eles perguntavam: ‘Você faz prisão? Você faz busca e apreensão?’”
Reconhecimento à atuação das Oficialas de Justiça
A reportagem publicada pelo Migalhas reforça a importância do trabalho exercido por mulheres que atuam na linha de frente da execução das decisões judiciais em todo o país.
Ao lidar diariamente com conflitos sociais, situações delicadas e realidades complexas, as Oficialas de Justiça desempenham papel fundamental para garantir que as determinações judiciais alcancem efetividade.
A entrevista completa com a oficiala Gina Geipel pode ser acessada no portal Migalhas:

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