sexta-feira, 3 de abril de 2015

Homem que fingia ser oficial de Justiça é preso em Fortaleza

Na falsa ordem judicial recolhida pela Polícia
Civil consta o nome do suspeito preso como
 oficial de Justiça. Ele deveria apreender 
ilegalmente um veículo
O suspeito integraria grupo que frauda registros de imóveis usados como garantia para empréstimos

Uma investigação da Delegacia de Defraudações e Falsificações (DDF) resultou na prisão de um homem que se passava por oficial de Justiça. O suspeito foi preso na última quarta-feira no bairro Meireles, em Fortaleza, com um mandado de busca e apreensão falso, quando tentava resgatar um cheque num cartório. No entanto, de acordo com o titular da DDF, delegado Jaime Paula Pessoa Linhares, Francisco Juscelino de Sousa, 50, faz parte de uma quadrilha envolvida no esquema de regularização de imóveis utilizando documentos falsos. Os bens seriam usados pelo grupo criminoso como garantia na obtenção de empréstimos fraudulentos junto à instituições financeiras.

Conforme a Polícia, Juscelino foi capturado ao chegar em um cartório de registro de imóveis, situado no cruzamento da Avenida Barão de Studart com Rua Deputado Moreira da Rocha.

"O comparsa dele solicitou ao cartório a devolução de um cheque no valor de R$ 2.197 que tinha sido emitido como pagamento do registro de um terreno. Mas a escritura do imóvel que foi apresentada era falsa, por isso o serviço não 
Delegado Jaime Paula Pessoa Linhares, 
titular da Delegacia de Defraudações, 
disse que a investigação foi iniciada 
há dois meses 

FOTO: DANIEL ARAGÃO
pode ser concretizado e o cartório suspendeu a regularização do terreno", revelou o delegado Jaime Paula Pessoa Linhares.

O titular da DDF explicou que a investigação teve início a partir de dois Boletins de Ocorrência (B.Os.) registrados na Especializada nos quais as vítimas denunciavam que tiveram imóveis transferidos irregularmente para golpistas. Inquérito foi instaurado para apurar a suposta fraude e, nos últimos dias, uma nova denúncia foi enviada à DDF pela Corregedoria do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), informando sobre outros golpes sendo praticados no Estado.

Conforme o delegado, um dos integrantes da quadrilha entrou em contato com o cartório para reaver o cheque emitido na tentativa da fraude. Na tarde da última quarta-feira, a Polícia foi avisada que o homem estava indo para o local e montou a vigilância com o objetivo de prender os envolvidos.

Ao chegar, Francisco Juscelino foi preso pela equipe de inspetores da Especializada. O homem foi autuado em flagrante na DDF por estelionato, falsidade ideológica, uso de documento público falso, falsidade documental (uso indevido de selo ou sinal público).

O delegado Jaime Paula Pessoa Linhares salientou que outros dois integrantes da quadrilha já foram identificados. Francisco Lima Freitas, que seria o chefe do grupo, e o filho dele, Matheus Freitas. O primeiro já responde a outros inquéritos por estelionato na DDF.

Entre os pertences do suspeito preso, os policiais civis encontraram um mandado de busca e apreensão falso. A ordem judicial determinava a apreensão de um veículo Fiat Linea em favor de Francisco Freitas.

O documento, supostamente expedido pela 15ª Vara Cível da Comarca de Fortaleza, continha um selo de autenticação do TJCE e o oficial de Justiça citado para cumprir a determinação falsa era o próprio Francisco Juscelino Sousa.

Selo

Sobre o selo, a Polícia descobriu que era verdadeiro e havia sido distribuído para o município de Tianguá (a 335Km de Fortaleza). "Talvez tenha sido tirado de outro documento. Vamos investigar para saber como foi parar nesse mandado de busca falso", afirmou Jaime Linhares.

O delegado ressaltou que as investigações continuam com o objetivo de identificar outras fraudes cometidas pelo grupo, principalmente, no que diz respeito aos golpes na regularização e transferências de imóveis para serem usados em empréstimos com dados falsos.

O golpe

1- A quadrilha agia transferindo ou registrando imóveis de terceiros para o nome de integrantes do grupo, utilizando documentos falsos

2- Com os imóveis regularizados de forma fraudulenta, os golpistas procuravam instituições financeiras e solicitavam empréstimos

3- Como garantia para conseguir a liberação dos empréstimos eram apresentados imóveis 'esquentados' pelo grupo ilegalmente

Emerson Rodrigues
Editor de Polícia

InfoJus BRASIL: Com informações do Diário do Nordeste

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